Diário de uma mãe

A Perda De Uma Mãe

Hoje, recebi a notícia que uma amiga muito querida estava se preparando para uma cesariana porque tinha dado uma alteração nos exames e o neném corria risco.

Começamos um intensivo de orações, fiz até uma promessa pra minha nossa senhora Aparecida. Mas infelizmente a pequena Cecilia não resistiu e nasceu para o céu.

Quando estava grávida da minha pequena eu aprendi que existem nenéns que são mais dignos do céu e ficam pouco tempo por aqui. Nunca imaginei que a Cecília seria um desses nenéns. Já me imaginava levando a Maria Rita para conhecer a amiga e ainda que as duas iriam brincar e serem amigas na adolescência, infelizmente não será possível.

Hoje o dia ficou mais triste, uma mãe perdeu seu neném e é impossível não imaginar a dor desse coração nesse momento.

Me coloquei em seu lugar e me imaginei nos dias de internação ouvindo os chorinhos dos bebês das outras mães e eu com o colo e o coração vazios . E o dia da tão esperada alta? Dessa forma teria sido um dia de dor e angústia.

Foi inevitável imaginar a mamãe chegando no quartinho vazio. O quartinho que foi todo enfeitado e arrumado para a chegada da pequena e agora só resta o vazio da saudade e da dor de não ter ela aqui.

Foi também inevitável imaginar a dor de Maria ao receber nos braços seu filho morto e desfigurado. Quanta dor a senhora suportou mãe e fez isso em silêncio. Um silêncio de quem sabe que a vontade de Deus não falha e que se esperarmos em Deus e com o coração em paz a vitória é certa.

Uma prece ficou em meu coração:

Visita mãezinha a todas essas mães que entregam seus filhos para o céu. Não entendemos o porquê disso tudo por isso elas precisam do teu abraço e do teu colo de mãe.

Conforta esses corações rasgados pela dor de perder um filho e una esse sofrimento ao teu mãe, aos pés da cruz do teu Filho Jesus. Amém!

E para mim ficou um enorme aprendizado. A pequena Cecilia ficou tão pouco entre nós e mesmo assim nos deixou muito a aprender.

Aprendi a viver o hoje, ou melhor, o agora! Pois é só isso que eu tenho. Tive a chance de visitar o quartinho dela mas deixei para outro dia, claro teremos muitos dias para visitar eu pensei. Ah, que arrependimento! Deveria ter ido e agora eu teria uma lembrança ainda mais gostosa dessa pequenininha.

E todas as outras vezes em tantas outras situações que eu pude visitar, conversar, abraçar, beijar, dizer um eu te amo ou talvez um muito obrigada. Quem sabe ainda um eu te perdoo ou me perdoe. Quantas vezes temos a oportunidade de viver e dizemos: “outra hora” ou ainda “outro dia a gente marca”

Temos o péssimo costume de achar que temos tempo e que tudo vai estar do mesmo jeito quando voltarmos. Não é bem assim né? E por mais que quiséssemos não prevemos o dia de amanhã. Talvez hoje seja minha última oportunidade de fazer aquilo que estou enrolando para fazer ou rever/falar (com) aquela pessoa.

Precisamos aprender a verdadeiramente viver, a Cecília viveu puquinho entre nós mas viveu intensamente pois deixou rastros de amor por onde ela passou. Assim devemos ser em nosso dia a dia sem importar muito quantos anos, meses, dias ou talvez horas ainda temos. Precisamos viver nossos minutos como se fossem os último (talvez sejam) e quando chegar o fim vai ter valido cada um deles ❤ A pequenininha se foi mas só deixou saudade e aprendizado para os que ficaram. Que assim também sejamos nós!

“Ensina-nos a contar nossos dias e assim teremos um coração sábio”

Salmo 90, 12

Um comentário

  • Flaviane

    Ô minha amiga que linda essa msg de carinho!
    A nossa pequena Cecília ficou pouco tempo entre nós, mas o tempo que ficou foi intenso e cheio de amor! Ela me ensinou uma nova forma de amar, me ensinou a ser forte por ela, me ensinou a sonhar alto…
    Ela me faz uma enorme falta, mas prometi a ela que iria me esforçar pra ser melhor dia a dia até que seja possível poder dar todos os abraços e beijos que hoje não posso.

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